Preço de custo: como calcular

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Monte ou revise seu preço de custo! Veja como calcular, a diferença de precificação conforme o setor e faça o cálculo na prática.

 

O que é preço de custo?

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Preço de custo é simplesmente o que se paga por aquilo que se está comprando.

Por trás de uma obviedade, às vezes temos alguns fatores que estão subentendidos e, quando vêm à tona, mostram inúmeras variáveis que precisam ser consideradas.

Digamos que que uma empresa comprou algumas mercadorias para revender. Negociou-se um determinado valor com o fornecedor.

Porém, para que essa mercadoria estivesse disponível fisicamente na loja foi necessário deslocar-se com um carro até o fornecedor para busca-las.

Quanto se gastou de combustível para transportar essa mercadoria de um local para o outro?

Quanto custou o tempo da pessoa que fez o transporte?

Depois que a mercadoria estava disponível para venda foi necessário que uma pessoa tirasse essa mercadoria da embalagem e colocasse ela à disposição dos clientes na prateleira.

Quanto custou o tempo dessa pessoa para fazer esse trabalho?

Seria possível ir seguindo com um exemplo atrás do outro…

O custo da mercadoria não é apenas o valor pago ao fornecedor. Existem outras questões que precisam ser consideradas para identificar o quanto realmente está sendo pago por aquilo que se comprou.

Conceitualmente falando, o custo é um valor monetário que envolve tudo o que a empresa gastou para obter e disponibilizar mercadorias, fabricar um produto ou prestar um serviço.

Ele representa o mínimo que se deve cobrar por um produto ou serviço antes de repassá-lo para a próxima etapa da cadeira produtiva ou para o consumidor final.

 

As diferentes precificações: indústria, serviços e varejo

Existe diferenças significativas para precificar o custo na indústria, no varejo e nos serviços.

 

Indústria

Na indústria, uma mercadoria é produzida antes de ser comercializada. E para ser produzida, há todo um processo envolvido.

Esse processo vai desde a engenharia do produto, passando pela compra dos materiais e insumos, logística e distribuição nos canais de vendas.

Portanto, a indústria precisa ter uma ficha técnica muito bem estruturada deste produto.

Esta ficha técnica irá envolver:

  • Consumo e valor pago pelos materiais que compõem o produto;
  • Custo dos insumos utilizados na produção;
  • Mão de obra direta (aquela mão de obra que é aplicada diretamente na fabricação do produto);
  • Mão de obra de terceiros (quando a indústria contrata um terceiro para produzir todo ou parte do produto);
  • Mão de obra indireta (aquela mão de obra que não está envolvida diretamente na fabricação do produto. Ela envolve, por exemplo, supervisores de produção, almoxarifado, controle e planejamento da produção, compras, vendas, financeiro e pessoal administrativo.

O processo de formação de custo na indústria envolve um estudo muito focado em todas as etapas nos quais aquela indústria está envolvida.

 

Serviços

Já no setor de serviços o custo é formado, basicamente, pela mão de obra.

Para a prestação de um serviço a empresa precisa despender profissionais que irão executar o serviço.

Por vezes, uma máquina é colocada para executar processos mais repetitivos, onde um ser humano não é requerido.

Mas, mesmo em processos de serviços automatizados, o lado humano precisa ser considerado.

A programação de máquinas e computadores estará evidente e muitas vezes pesará bastante no custo da prestação do serviço (em alguns casos, mais até do que a própria máquina).

 

Varejo

No varejo o custo da mercadoria é dado pela composição de alguns valores. Que serão esclarecidos a seguir…

 

Quanto realmente custa a sua mercadoria?

Para começar, vamos analisar uma nota fiscal de compra:

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Esta imagem mostra os valores totais de uma nota fiscal em um DANFE.

Porém, cabe lembrar que cada produto terá o seu valor individual. É o somatório dos valores de cada produto que irá compor o valor total da nota fiscal.

Tenha em mente que o custo deve ser verificado produto a produto.

Detalhamos a seguir o que é cada um dos campos que salientamos nos totais da nota:

1

Valor do ICMS

Este campo irá apresentar quanto de ICMS está embutido no valor dos produtos.

O valor do ICMS sempre estará “dentro” do valor do produto.

Portanto, ele não deve ser acrescido ao custo da mercadoria.

Mas, caso a sua empresa não seja optante pelo Regime do Simples Nacional, o valor do ICMS irá constituir um crédito.

Este crédito de ICMS será abatido do valor de ICMS a ser pago no final de cada mês pela empresa.

Você pode entender os detalhes sobre ICMS neste material: ICMS – Imposto sobre circulação de mercadorias.

Se o ICMS pode ser usado como crédito pela sua empresa, então ele pode ser abatido do valor do produto, pois no final das contas, você pagará ICMS apenas pela diferença entre o ICMS da venda e o ICMS da compra.

(-)

(*)

2

Valor do ICMS por Substituição Tributária

O valor do ICMS por substituição tributária representa um custo que será pago na hora da compra das mercadorias.

Este custo precisa ser repassado.

Diferente do ICMS (1) ele não está embutido no valor da mercadoria.

O valor dele muda conforme o convênio entre os estados, a alíquota de MVA, a diferença de ICMS

(+)

3

Valor total dos produtos

Este é o valor dos produtos.

Aqui você verá exatamente o valor que pagou apenas pelo produto.

É quanto o seu fornecedor está lhe cobrando pela mercadoria.

(+)

4

Valor do frete

Uma nota fiscal somente terá valor de frete se o seu fornecedor possuir um veículo próprio para transportar as mercadorias, e ele mesmo lhe entregar os produtos e lhe cobrar por este transporte.

Caso este valor esteja preenchido, significa que você tem mais um custo envolvido na compra da mercadoria.

Vale lembrar que o frete é um serviço. E sendo um serviço, ele está vinculado ao ICMS.

Assim, se a nota fiscal tiver ICMS, o valor do imposto estará somado ao campo “Valor do ICMS” (1) e poderá ser usado como crédito nas empresas de modalidade geral.

(+)

5

Valor do seguro

Ocasionalmente seu fornecedor poderá incluir um seguro para que as mercadorias cheguem até a sua empresa.

Quando isso acontecer, o valor do seguro será acrescentado ao total da nota e, por consequência, deverá ser somado ao custo final.

(+)

6

Desconto

Se durante a negociação das mercadorias seu fornecedor lhe concedeu um desconto, este deverá ser subtraído do custo da mercadoria.

(-)

7

Outras despesas acessórias

Da mesma forma como o seguro, quando houver valor de despesas acessórias, estas deverão compor o valor final das mercadorias que você está pagando.

(+)

8

Valor do IPI

O valor do IPI é cobrado separadamente do valor dos produtos.

Sempre que suas compras forem feitas diretamente em uma indústria, e esta indústria estiver produzindo bens que estejam inseridos no regime de tributação do IPI, haverá este valor.

(+)

9

Valor total da nota

O valor total da nota é o somatório de todos os campos que descrevemos até aqui.

Lembrando que o valor do ICMS (1) estará embutido no valor dos produtos. Portanto, ele não é somado ao total da nota fiscal.

(=)

2 + 3 + 4 + 5 – 6 + 7 + 8 – 1 (*)

(*) somente subtrair do custo se a empresa não for optante pelo Regime do Simples Nacional

A tabela acima demostra para você como compor o custo da sua mercadoria (que será o valor total da nota).

Lembrando que você pode subtrair o valor do ICMS deste total caso a sua empresa não esteja inserida no Regime do Simples Nacional.

Até aqui, temos um custo que estamos pagando para o fornecedor, mais os impostos e outras despesas que estão envolvidas na compra das mercadorias.

Vamos a um exemplo com valores?

Este exemplo é dado para uma empresa não optante pelo Simples Nacional. Se não for o seu caso, apenas não subtraia o valor do ICMS.

1

Valor do ICMS

R$ 0,98

(-)

(*)

2

Valor do ICMS por Substituição Tributária

R$ 3,28

(+)

3

Valor total dos produtos

R$ 8,22

(+)

4

Valor do frete

R$ 0,41

(+)

5

Valor do seguro

R$ 0,00

(+)

6

Desconto

R$ 0,22

(-)

7

Outras despesas acessórias

R$ 0,00

(+)

8

Valor do IPI

R$ 0,00

(+)

9

Valor total da nota

R$ 10,71

(=) 2 + 3 + 4 + 5 – 6 + 7 + 8 – 1 (*)

No exemplo acima, a empresa pagou pela mercadoria R$ 8,00 (R$ 8,22 – R$ 0,22 (desconto)). Acrescidos os impostos e despesas, e subtraído o crédito de ICMS, pagou-se ao final R$ 10,71 por cada unidade da mercadoria comprada.

No entanto, além de considerar o valor pago pela mercadoria, existem algumas outras variáveis que envolvem o custo:

 

Despesas extras

Quais as despesas extras que sua empresa tem para conseguir colocar este produto à disposição dos consumidores?

Por exemplo: você vende no cartão de crédito ou débito? Quais tarifas a operadora do cartão lhe cobra ao realizar a venda?

Digamos que ao vender uma unidade do produto que exemplificamos, a operadora lhe cobra 3%.

Esse percentual precisa ser considerado no seu custo. E, opcionalmente, você pode dar um desconto para seu cliente quando ele lhe pagar à vista, em espécie.

Como adicionar os 3% ao custo da mercadoria?

Faça o seguinte cálculo:

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Custo fixo

Outro fator importante que precisa ser considerado é o custo fixo geral da sua empresa.

O custo fixo é a soma de todas as despesas que você tem, e que precisam ser pagas ao final do período. Exemplos: folha de pagamento, água, luz e telefone.

Caso precise primeiro identificar o seu custo fixo, você pode ler mais sobre custo fixo neste material: Fluxo de caixa. Nele encontrará informações sobre a categorização das suas despesas e sobre a análise delas.

Você precisará apurar o valor destas despesas que compõem o seu custo fixo. Depois dividir este valor apurado pelo seu faturamento.

Dessa forma, você terá um percentual de custo fixo que poderá ser aplicado ao custo da mercadoria bem como demonstramos ao acrescentar a tarifa do cartão.

Supondo que você tenha um faturamento de R$ 100.000,00. E a soma dos custos fixos totalize R$ 20.500,00. O seu percentual de custo fixo seria 20,5% (R$ 20.500,00 / R$ 100.000,00).

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Prova real

Você pode confirmar se seu cálculo está correto, fazendo o caminho de volta. Ao realiza-lo chegará ao custo pago ao fornecedor e todas as despesas envolvidas pagas.

Veja a demonstração a seguir:

Custo total

R$ 13,8883

Custo fixo

R$ 13,8883 * 20,5% = R$ 2,8471

R$ 13,8883 (-) R$ 2,8471 = R$ 11,0412

Despesas do cartão de crédito/débito

R$ 11,0412 * 3% = R$ 0,3312

R$ 11,0412 (-) R$ 0,3312 = R$ 10,71

Custo pago ao fornecedor

R$ 13,8883 (-) R$ 2,8471 (-) R$ 0,3312 = R$ 10,71

Calculando seu custo dessa forma, você terá segurança de que todas as suas despesas estão sendo pagas e seu custo está “enxuto”, livre de qualquer surpresa.

Aconselhamos o uso de 4 casas decimais, pelo menos, para calcular os custos. Dessa forma, você terá um custo muito mais apurado para poder iniciar o cálculo do seu preço de venda.

Dependendo do produto que for vendido, o custo poderá ser muito baixo e qualquer centavo pode fazer a diferença em uma negociação ou comparação com a sua concorrência.

O método que utilizamos para acrescentar as despesas ao custo inicial pago ao fornecedor é o mesmo que demonstramos neste material: Markup

 

Para finalizar

A estrutura de valores das compras em uma nota fiscal (DANFE) pode ser utilizada para qualquer empresa.

Portanto, este é o passo inicial que você deve focar para iniciar o cálculo dos seus custos.

Porém, a partir do momento em que falamos sobre as variáveis extras que compõem o custo de um produto, é necessário conhecer profundamente o ambiente em que sua empresa está inserida.

E este é o seu tema de casa. Ou seja, saiba quanto está pagando para o seu fornecedor. Mas saiba quais as particularidades que seu negócio tem e quanto essas características influenciam no seu preço de custo.

Exemplificamos apenas a despesa extra com cartão de crédito ou débito. Mas você poderá ter inúmeras outras.

O custo fixo também é muito importante e toda a empresa tem. Descubra esse valor através da análise do seu fluxo de caixa.

Ao chegar no valor final do custo unitário das mercadorias, haverá segurança para aplicar uma margem de lucro e ter a certeza de que suas vendas estão gerando o resultado desejado.

 




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